3° Domingo da Quaresma



“BEBER DO PRÓPRIO POÇO”
     Quem de nós nunca sentiu sede??? Sabemos que em nosso Planeta não há possibilidade de vida sem que haja condições para isso. Por isso, uma das primeiras coisas que Deus criou no Gênesis foram as águas, e as separou em, águas de “cima” e as de “baixo”.
     As águas de cima, “fecundam”, por assim dizer, as águas de baixo, dando condições para que a Vida exista. Pois bem, no deserto raramente se chove, por isso da quase inexistência de vida. Era necessário então, que os povos migrantes cavassem, em suas longas caminhadas, poços para deixar às suas descendências e estes poderem alcançar em suas viagens água para subsistência.
     Assim é a história do poço que Jacó deixou aos seus descendentes e que na liturgia deste final de semana é proposto como símbolo da belíssima conversa de Jesus com a Samaritana. (Jo4, 5-42)
     Neste diálogo, Jesus pede água! Claro que muito mais do que a água, Jesus queria um pretexto para aproximar-se daquela pessoa (samaritana), ou seria de um povo (?) - note-se que a samaritana não tinha nome, porém, era infeliz, sedenta e que não sabe onde encontrar água; vivia sem rumo e sem direção. Era Deus que vinha ao encontro da sede da samaritana! É Deus que em todos os momentos, vem ao encontro de nossas sedes e que abre um poço diferente, para saciá-las.
     Como outrora no deserto em que Deus manda Moisés bater na rocha e de lá brotam as águas que matam a sede do seu povo (1ª Leitura – Ex 17,3-7), Jesus no Evangelho se declara a Fonte de água viva, isto é, o lugar de onde brota água, brota vida, brota o Espírito Santo.
     Porém, como o povo do Êxodo que murmura e prefere voltar para a escravidão, porque lá tem cebolas e água, hoje reclamamos de Deus em tudo! Preferimos continuar escravos de nossas sedes, preferimos ser amantes de 5 maridos (deuses), a nos entregarmos de coração e permitirmos que nosso balde (vida) seja cheia da Graça de Deus que foi derramada pela Morte e Ressurreição de Jesus.
     Cristo é a Rocha que dá a água do Espírito. Paulo nos ensina que somos salvos e justificados por Ele. Essa salvação já veio até nós pelo batismo. Essa água que nos sacia vem a nós todas as vezes que celebramos a Eucaristia. Eis nosso poço! Eis de onde devemos beber! Eis onde devemos saciar nossa sede! Eis de onde devemos partir para o mundo e, como a samaritana, sermos missionários! Sim! Não apenas matarmos nossa sede egoisticamente, mas conduzir outros até a fonte, como fez a Samaritana: “Venham ver o homem que me disse tudo o que fiz... não será Ele o Messias?”
     Assim, queridos irmãos e irmãs, busquemos com insistência matar nossa sede de Deus que se faz poço, que se faz próximo. E, como diz uma belíssima canção entoada por nosso querido Pe. Fábio de Melo, “Se você trouxer a mim a sua água eu devolvo vinho.”


Pe. Marcelo Delalibera - Pároco da Paróquia Imaculada Conceição de Palmares Paulista. SP



Quarta-feira de Cinzas
A Missa de quarta-feira de cinzas, no dia 9 de Março, deu inicio a Quaresma, tempo onde somos convidados a analisar o que estamos fazendo com nós e para com os outros. E é com o intuito de análise intima que a CNBB propõe todo ano a Campanha da Fraternidade, sempre co m um tema e um lema. Neste ano para retratar a violência do Homem contra a natureza, temos o tema “Fraternidade e vida no planeta” e o lema “A criação geme em dores de Parto (Rm8, 22)”.
Antes da benção final, o Grupo Teatral “Anuncio & Ação” encenou uma peça mostrando a assembléia que atitude ambiental parte de simples atos e que todos devemos nos mobilizar diante de tal fato. Além disso, para fazer jus ao nome, o Grupo apresentou o “Projeto Recicle”, que reverte parte do dinheiro arrecadado para famílias carentes de nossa paróquia.
Então, aproveite estes 40 dias para rever seus atos e repensar seu modo de vida, visando também a vossa consciência ambiental.



Vinicio Eduardo de Almeida
E-mail: viniciopitoco@yahoo.com.br
18 Anos.
Com. Imaculada Conceição - Palmares Paulista.
Estudante de Téc. em Administração.








1° Domingo da Quaresma


    Venceremos o Mal em Cristo!

A Quaresma é tempo propício para vivermos com profundidade o Mistério da morte e Ressurreição de Cristo. No início deste nosso “Retiro” quaresmal, a Palavra de Deus convida-nos à “conversão”, a recolocar Deus no centro da nossa existência, a aceitar a comunhão com Ele, a escutar as suas propostas e a concretizar no mundo, sendo fiéis, os Seus projetos.
     A primeira leitura (Gn, 2,7-9; 3,1-7), afirma que Deus criou o homem para a felicidade e para a Vida Plena. Quando escutamos as propostas de Deus, conhecemos a vida e a felicidade; mas, sempre que deixamos Deus de lado e nos fechamos em nosso “Eu”, ficamos à mercê do mal e somos instrumentos na construção de caminhos de sofrimento e de morte.
     São duas realidades abordadas: “Adão”, pelo qual nos veio o pecado e a Morte; e “Cristo”, o qual nos trouxe a Redenção e a Vida (2ª Leitura: Rm 5, 12.17-19).
     Vivemos num mundo, por assim dizer, convivendo com estas duas realidades: morte e vida. Somos, como Cristo, desafiados e tentados pelo Demônio, que significa, “divisor”, por toda a vida a abandonarmos a realidade da Vida, a Missão que Deus nos confia. (Evangelho: Mt 4,1-11)
     Jesus mostra aos seus discípulos e a nós, que, inseridos na realidade da Palavra, isto é, tendo como “Rocha” (Evangelho de Domingo Passado) a Palavra de Deus, é possível resistir ao tentador. Ele, que tem como objetivo afastar-nos do projeto de Vida que Deus tem para nós, pode ser facilmente vencido. Sim! Facilmente, sim! Pois o demônio é frágil e medroso. Basta dizer não, como fez Jesus, e ele se afasta, até a outra vez.
     Então, queridos irmãos e irmãs, aproximemo-nos com confiança de Jesus, reconhecendo, como nos canta o Salmo 50, toda a nossa iniquidade, aproveitando ao máximo este tempo especial de reflexão e conversão, ocasião privilegiada para rever as nossas atitudes e nosso modo de agir conosco mesmo, com os outros e com a Natureza.
    Como Cristãos, revistamo-nos das “armas da luz”: Oração, Jejum e Caridade, para juntos reconstruirmos o mundo que Deus pensou desde o início da Criação, e, não rejeitar a Missão confiada a nós por Deus, assim como fez Jesus.


Pe. Marcelo Delalibera - Pároco  


Penitência na quaresma: Vida ou sofrimento?

     Estamos já na quaresma, e nós cristãos carregamos à tradição de viver nesse período a experiência de abstinência de algo que nos é bom ou de algo que não é bom.
     Muitas pessoas fazem a experiência de ficarem quarenta dias sem tomar sorvete, outros de comer chocolate, outros de guaraná e outros ainda ficam sem beber bebidas alcoólicas ou fumar cigarro.
     Deus age em nossas decisões, basta apenas que o permitamos agir. Quando a igreja nos convida a viver essa experiência de ficar um período sem algo que normalmente consumimos ou praticamos ela não esta com a intenção de nos levar ao sofrimento, entendam a igreja não pede de nós algo que nos leva ao sofrimento em si, vazio, apenas por sofre, é como que maligno pensar isso, imagine só o Santo Papa se alegrando na quaresma por que nesse período milhares de católicos, praticando a abstinência da quaresma, sofrem por nada, simplesmente por sofrer.
     Isso é inviável, e não podemos nos deixar levar por esse tipo de pensamento, Deus é vida e vida em abundancia nos diz o evangelho, e se Ele é vida nós não podemos esperar nada que se relacionem a Deus que não traga vida, tudo o que vem de Deus é bom e nos leva a vida plena e feliz.
     Portanto devemos deixar de lado todo esse paradigma de que Deus quer para nos o sofrimento, que a igreja quer que sejamos tristes, que ela quer que nós vivamos um suplício de dor. Para inicio podemos pensar o seguinte, a penitência da quaresma é uma escolha pessoal, ninguém obriga ninguém a escolher a penitencia, é sugerido pela igreja, mas não é uma obrigação, e essa liberdade que nos é dada, em tudo, pela igreja e por Deus nos leva ao verdadeiro sentido da penitência, que não é o sofrimento em si, e sim o crescimento espiritual, muitas pessoas saíram dessa quaresma muito mais íntimos com o Senhor, se podemos ficar quarenta dias sem beber álcool, é prova de que o álcool não é tão necessário em nossas vidas, se nos abdicamos de algo por quarenta dias aprendemos a nos controlar, pois sabemos que não devemos fazer aquilo, e por mais que somos tentados a fazê-lo temos a coragem e a ousadia que vem do Espírito Santo de dizer não, de vivermos plenamente a experiência de controle pessoal, de controle de nossos desejos e vontades. Quem controla sua alimentação vivendo plenamente o jejum de comida, consegue controla sua língua, não falando coisas vãs ou maldosas, quem consegue controlar-se em não beber guaraná por mais que goste, consegue muito bem controlar seu jeito grosseiro de ser, quem consegue ficar quarenta dias sem algo que gosta muito, consegue controlar sua castidade e sua afetividade.
     Esta aqui o grande segredo da quaresma, primeiro eu controlo meu corpo, meu fisiológico, assim saberei que não sou controlado pelo desejo e sim que os controlo, e controlando-os irei crescer aprendendo assim a controlar meu jeito de ser, meu gênero, minhas tentações.
     Que Deus nos abençoe e nos guarde nessa quaresma, onde temos a oportunidade de construir uma vida mais santa e mais amável, onde posso ser mais servo e mais amigo, mais filho, mais marido, mais esposa, mais pai, mais mãe. Que Deus nos de a graça de vivermos plenamente essa experiência. 
"Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo."




José Paulo Neves Pereira
E-mail: paulinho-np@hotmail.com
21 anos.
Com. Imaculada Conceição - Palmares Paulista.
Estudante de Psicologia.